Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

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"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

Convidamos você, a cada hora, a criar uma nova vibração ao redor do mundo, dizendo “EU ESCOLHO A VIDA” junto com milhares de pessoas. Todos juntos a serviço da vida.












Olhando com lupa

Revista Hellinger, junho 2006

A raiva

A raiva manifesta-se de diferentes maneiras, útil ou devastadora, forte ou fraca. Aqui apresento alguns destes aspectos sob a lupa.

1. Alguém me ataca ou me faz uma injustiça e reajo em função disso com cólera e raiva. Esta raiva possibilita que me defenda com força ou que me oponha. Torna-me capaz de controlar a situação, é positiva e me fortalece. Esta raiva vem ao acaso e por isso tem medida. Dissolve-se no momento que alcança seu objetivo.

2. Fico furioso e zangado quando percebo que não tomei o que teria podido ou tido que tomar, ou que não reivindicar o que teria podido ou tido que reivindicar, ou que não implorei o que teria podido ou tido que implorar. Em vez de enfrentar e buscar ou tomar o que preciso, fico zangado e furioso com as pessoas as quais não tomei ou reivindiquei ou implorei quando teria podido ou tido que fazê-lo.

Esta raiva é um substituto para a ação e a consequência de uma resignação. Ela me paralisa e me faz-me inapto e fraco, e perdura por muito tempo.

Do mesmo modo, esta raiva atua como defensa contra o amor. Em vez de exteriorizar meu amor, descarrego com raiva em aqueles que amo. Ela origina-se na infância, quando aparece como consequência de um movimento interrompido. Em situações posteriores parecidas, trará a lembrança do anterior e disso tirará sua força.

3. Estou zangado com alguém porque lhe fiz algum mal e não quero admiti-lo. Com esta raiva protejo-me dos efeitos da culpa.  Projeto-os sobre o outro. Esta raiva também é uma substituta da ação. Paralisa-me e debilita-me.

4. Alguém me dá tanto e em quantidade tão grande que não posso devolvê-lo. Somente me resta o peso disso. Então, defendo-me do doador e seus dons zangando-me com ele. Esta raiva se expressa em forma de censuras, por exemplo, das crianças para seus pais.

É a substituta do tomar e agradecer. Paralisa-nos e deixa-nos vazios.

Ou talvez, manifeste-se como depressão. A depressão é a outra cara da censura. É também uma substituta do tomar, do dar e do agradecer. Imobiliza-nos e vazia-nos. Nos mantém, depois de uma separação, em um duelo sem terminar, quando ainda nos sentimos em dívida com o dar e tomar, diante dos mortos que se separaram de nós. É possível, também, que nos sintamos, como na 3ª forma da raiva, presos a nossa culpa e as suas consequências.

5. Alguns sentem uma raiva que pertence aos outros, porém que fazem sua.

Um exemplo seria: quando em um grupo, um participante reprime sua própria raiva, decorrido um tempo, outro participante se sentirá incomodado, frequentemente é mais fraco e, em princípio, não tem motivo para sê-lo.

Na família, o elemento mais fraco é uma criança. Quando uma mãe está chateada com o pai, porém não permite entrevê-lo, na maioria das vezes, uma criança zangar-se-á com ele.

O mais fraco não somente se encarrega da raiva, senão que, às vezes, a raiva o tomará como alvo: quando um subordinado sente ira pelo seu superior sem poder exteriorizá-la, descarregá-la-á em outra pessoa mais vulnerável. Ou quando um homem fica furioso com sua mulher, sem deixá-lo aparecer, frequentemente carregará seu filho com isso.

A raiva não somente pode ser transferida de um indivíduo para outro, como de pai para filho, senão que também pode ser que o destinatário seja um representante para o verdadeiro destinatário, isto é, que este papel seja deslocado de uma pessoa com força para outra mais frágil. Com o qual, uma filha que se encarrega da raiva da sua mãe pelo seu pai, dirigirá esta raiva contra alguém que sente mais vulnerável do que seu pai, por exemplo, seu próprio marido.

Nos grupos, percebe-se que a raiva transferida não se dirige aos responsáveis, como o chefe do grupo, senão que recai sobre o mais fraco que, desta forma, assume o papel de bode expiatório dos fortes. Nas transferências de raiva, os atuantes situam-se fora de si próprios, tornando-se presunçosos e sentindo-se no seu direito. Porém, atuam desde uma fonte de energia e de direito que lhes é alheia e que não lhes permite nem o sucesso nem a força. As vítimas das transferências sentem-se igualmente presunçosas e no seu direito porque sabem que sofrem uma injustiça. Elas, igualmente, ficam sem forças e sem sucesso na sua dor.

6. Existe una cólera que é virtude e valentia.

É uma força de penetração atenta e recolhida, a serviço da miséria e da necessidade que, com ousadia e sabedoria, enfrenta-se aos poderosos e aos que exercem muito peso. Entretanto, esta cólera não tem emoção. Se for requerido pela situação, atuará provocando um mal ao outro, sem temor e sem maldade. É pura energia agressiva. É o fruto de uma longa disciplina e é prática, não obstante, surge sem esforço. Se expressa, inclusive, como capacidade para negociar estrategicamente.