Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

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"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

Convidamos você, a cada hora, a criar uma nova vibração ao redor do mundo, dizendo “EU ESCOLHO A VIDA” junto com milhares de pessoas. Todos juntos a serviço da vida.












Encontrar a paz

Revista Hellinger, decembro 2007

O apego dos mortos aos vivos

Participante: Morei anteriormente em um bairro onde frequentemente ocorriam suicídios. Minha sogra tornou-se uma pessoa muito depressiva na sua casa daquele bairro. Depois da sua morte, mudamo-nos para lá. Uma das minhas filhas tornou-se depressiva, a outra está instável. Há dois meses, partimos de lá porque tinha a sensação de que algo estava errado naquele lugar.

Hellinger: Conheço um bonito vale nos Alpes. Temos um conhecido lá. Ele trabalha de queijeiro em uma granja. Um lugar lindo! Na maioria das casas daquele vale, aconteceu um suicídio e sempre da mesma maneira. Enforcam-se. Conheço outro vale em Tirol do Sul onde é parecido. Em praticamente cada lar existiu um suicidado. Constelei-o uma vez.

Afasto-me agora um pouco do precipício. Minha observação a partir das constelações é a seguinte. Quando alguém morre repentinamente, desprevenido, inclusive por suicídio, ás vezes, é porque os mortos atraem os vivos para a morte. Naquele vale de Tirol o constatei.

No curso havia uma mulher de lá que corria perigo de se matar. Para ela configurei em um círculo 15 homens e mulheres que estavam presentes e que representavam aqueles que já tinham se matado. Posteriormente coloquei a mulher dentro do círculo. Olhou para cada um dizendo-lhe: por favor. Depois de isto, alguns mortos se retiraram. Ela também deu alguns passos para trás. Porém, um dos mortos a seguiu, como querendo atraí-la para ele. Então ela lhe repetiu com voz forte: por favor. Ele conseguiu finalmente retirar-se.

Bom, é importante saber que isto existe.

Observei outra situação análoga. Uma mãe morta no parto, ás vezes, carrega com ela o filho para a morte. Existem muitos consteladores que trabalham seriamente com isto. Observaram que muitos daqueles que faleceram repentinamente não sabem que estão mortos. Comportam-se como se ainda estivessem aqui. Apegam-se aos vivos. Então dizemos para o representante do morto na constelação: Você está morto. Eu ainda vivo. Posteriormente morrerei também.

Participante: Uma morte repentina pode ser também o caso de um acidente de avião, ou somente trata-se de suicídio?

Hellinger: Sim, também pode ser um acidente, por exemplo.

Farei com vocês um exercício relacionado com isto. Fechem os olhos. Imaginem que estão em uma situação onde alguém da própria família morreu, ou qualquer outra situação, e percebam o roce de um morto que se agarra a vocês. Talvez existam vários mortos. Olhem então além deles, para muito longe. Mesmo se eles se pendurarem de vocês, olhem para longe, por cima deles, para o infinito.

Mantemo-nos nesta atitude, impassível diante do que os mortos talvez esperem de nós. Com miras a este infinito, sentimos então como o infinito nos atrai, e nos deixamos levar. De esta maneira, os mortos que se seguram de nós são igualmente abrangidos naquele movimento. Seguem-nos na mesma direção, pelo mesmo caminho. Decorrido um tempo, retiramo-nos e deixamo-los irem sozinhos para onde agora estão atraídos.

Casas e lugares carregados

Participante: Em momentos de trabalho intensivo interior – como agora - vejo imagens de sucessos de guerra. Minha pergunta é: até que ponto certas pessoas e sua história influenciam-me na vida se, por exemplo, morasse nos lugares onde estas pessoas vivenciaram suas histórias?

Hellinger: Pode explicá-lo mais concretamente?

Participante: Moro em um condomínio que foi construído nos tempos da guerra. Lá residiam oficiais do exército e aqueles que produziam munições em uma fábrica. Eu moro e trabalho lá. Até que ponto tem o acontecido influencia sobre nós, os que agora moramos e trabalhamos lá? Já que não temos sucesso com nossas empresas.

Hellinger: Bem, posso imaginá-lo. Estive em Varsóvia, existia lá o famoso grande gueto. Em seu lugar se edificaram moradias. Pensei: Como pode alguém ir morar neste lugar? É impensável! É certo, o que aconteceu lá continua atuando.

Agora bem. Como as pessoas se viram lá? Posso imaginar que se vocês honram em seu interior aqueles que provavelmente foram explorados naquele lugar, pode isto ter um bom efeito para vocês. Daí, a saber, se uma empresa pode sobreviver, é outro assunto. Não cabe dúvida que está carregado.

Participante: Confirma-me o que percebo.

Outra participante: Existe a possibilidade de neutralizar o lugar se estiver “contaminado”? Lá moram muitas mais pessoas que provavelmente não estão bem.

Hellinger: Esta possibilidade não existe. A ilusão de que se poderia remediar esta situação é realmente uma ilusão. Não funciona.

Participante: Eu achava que era possível.

Hellinger: Fácil demais! Fantasias de criança, fantasias de poder. É necessário respeitar o lugar.

Participante: Inclusive quando é negativo?

Hellinger: devemos outorgar-lhe a paz, por assim dizê-lo. Se dedicarmos o lugar à agricultura e, por exemplo, se levassem vacas para pastar lá, isto permitiria que a área se regenerasse. Isso são imagens de paz. O resto é fantasia de poder, não é legítimo. Existem muitas casas que, pelo que aconteceu nelas, são perigosas de habitar.

Participante: Na realidade, naquele lugar, muitas moradias deveriam ser esvaziadas ou destinadas a outro propósito.

Hellinger: podemos transformá-las destinando-as a um uso benevolente. Não precisamos falar sobre isto agora. Entretanto, existem casas que não são habitáveis. Isto se vê pelo fato de que as pessoas falecem com frequência lá. Devemos tê-lo em consideração. Pensamos frequentemente que os mortos partiram para sempre. Em lugares semelhantes, ainda se encontram presentes. Observamo-lo em lugares de acidentes: um ano morre alguém lá e no ano seguinte morre outra pessoa, no mesmo lugar. O morto está lá, óbvio, e tem um efeito. O mesmo acontece com as casas, os mortos continuam lá.

Outra participante: criei-me no leste da província de Hamburgo. É uma área que foi totalmente destruída na guerra, pelos repetidos bombardeios e onde muitas pessoas morreram. Naquele então, minha mãe também ficou sepultada depois de um ataque aéreo. Isto tem o mesmo efeito?

Hellinger: os acontecimentos de guerra, em si, não têm esse efeito na mesma medida, segundo minha imagem. Trata-se mais bem de lugares onde houve muita injustiça, como o gueto de Varsóvia. Por isso, naqueles lugares não deveriam construir-se moradias.

O mesmo é válido para o campo de concentração de Dachau. Esse lugar comemorativo é, para o povo de Dachau, uma carga, logicamente. Uma vez, tentei imaginar o que poderia ajudar tal lugar. Não me meto em política. Imaginei que se derrubava o monumento comemorativo, que se fazia uma verde colina sobre ele e que se plantava uma cruz em seu cume. Então, poderia o passado ser passado. Seguiria sendo um lugar de lembrança, mas, em certa forma, estaria curado. O da guerra não tem este mesmo efeito.

Participante: fui embora daquele lugar bem rápido. Não gosto do ambiente de lá, inclusive quando vou agora de vez em quando pela região. Hellinger: Bom, para você não parece ser um bom lugar. As pessoas sentem estas coisas, e devemos levá-lo a sério. Temos uma percepção mais profunda do que pensamos, uma percepção direta do que é apropriado ou não. O que lhe corresponde é onde está agora. Fique contente.