Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

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"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

Convidamos você, a cada hora, a criar uma nova vibração ao redor do mundo, dizendo “EU ESCOLHO A VIDA” junto com milhares de pessoas. Todos juntos a serviço da vida.












Mistica Natural (complemento)

Revista Hellinger, 2008

Aplicação prática

Bem, o que acabo de descrever no plano filosófico, aplico-o no meu trabalho. Por exemplo, quando trabalho com alguém que deseja solucionar algum problema comigo, coloco uns representantes, sem mencionar de que se trata. De repente, são pegos por um movimento irresistível. Quando vários representantes se reúnem, as partes que estavam separadas encontram uma forma de se juntarem. Isto é possível graças a um movimento do espírito que anula a diferenciação entre o bem e o mal, entre o pertencer e o não pertencer, entre o escolhido e o maldito.

Consequências

Que nos transmite isso? Transmite-nos que tudo está bem. Assim como está, é como está pensado e desejado, sem diferença alguma.  Até este momento conseguem me entender? Esta força espiritual eleva-se por cima, muito por cima, do que tentamos captar com nossas imagens de Deus. Ela é a verdadeira e autêntica força criadora. Para ela não existe nem o bem nem o mal, nem o certo nem o errado, não existe perpetrador nem vítima, não existe nenhuma das categorias nas quais dividimos nosso mundo. Quando nos movimentamos com esse movimento, sintonizando com ele, são derrubadas todas estas diferenciações.  Entrar neste movimento é um fenômeno natural, um processo de conhecimento no qual esta certeza é levada a sério, em todos seus aspectos.

Que se acaba, então, quando é levado a sério? Toda a religião, toda a moral deixa de ser. Entendem, agora, a magnitude da mística natural e a maneira como coloca tudo de cabeça para baixo?

O paraíso

Eu fui teólogo e, de certa forma, continuo sendo, assim como também, familiarizado com a Bíblia. Agora, vejo-a com outros olhos. Posso observar em filigrana através das imagens que nela se alinham e os processos particulares que estão descritos, porque não tenho medo de Deus. O Deus que assusta a muitos na realidade é um ídolo. É um entre muitos, caso contrário, não poderia ser ciumento. É somente o Deus de um grupo, não é um Deus para todos. Caso contrário, não poderiam existir alguns escolhidos e outros descartados. Aquele Deus é a réplica da nossa imagem interior do bem e do mal, feito a nossa imagem.

Li novamente a história do paraíso. Compreendi algo. Adão e Eva comeram da árvore do conhecimento, influenciados pela serpente, e, como conseqüência, foram arrojados do paraíso. É dito de que conhecimento se tratava. Era o conhecimento do bem e do mal. Por acaso, trata-se de um conhecimento? Se o compararmos com o que falei anteriormente, podemos concluir que isto é um conhecimento? Ou, mais bem, é uma apostasia do movimento do espírito, na qual decidimos, de repente, QUEM é bom e quem é ruim? E como última consequência, decidimos quem tem direito a viver e quem não. O conhecimento, suposto conhecimento do bem e do mal, é o começo de todos os crimes. E começou muito cedo com Caín e Abel. Caín matou seu irmão Abel. Por quê? Porque disse: Deus prefere meu irmão. Na realidade, ele projetou sobre Deus sua própria discriminação entre o bem e o mal, e matou seu irmão. Quem matou na realidade? Deus, claro, quem mais?

Talvez, tenha ido longe demais agora. Não tenho direito de dizê-lo tudo. Todas as guerras, todos os conflitos graves, aparecem por que uns dizem: Somos bons e vocês não. Ou, ainda mais concretamente: nosso Deus é o verdadeiro e o seu é falso.

Todo esse extermínio acontece em nome do bem contra o mal. Somente devemos olhar para o que acontece hoje em dia. Não quero mencionar nomes. Sabem melhor do que eu.

Agora bem, entrar no movimento do espírito, ir além da diferença entre o bem e o mal, avançar com a mesma entrega a tudo tal como é, isso é um movimento de paz, o verdadeiro movimento de paz. E é o verdadeiro movimento de amor sem discriminação. . Isso é, também, a mística natural, livre das imagens redutoras que temos. Inclusive, livre das imagens redutoras de Deus que temos. Que acontece quando deixamos apoderar-nos por esse movimento? O suposto conhecimento do bem e do mal desaparece, com todas suas consequências. E então? Entramos novamente no paraíso, onde Deus perambula entre as pessoas. Isso era o paraíso: Deus perambulando entre as pessoas, como um deles.

A diferenciação entre o bem e o mal radica em nossa consciência. Quem faz a diferença entre o bem e o mal? Pois, nossa boa consciência. Somente a boa consciência decide quem merece pertencer e quem não.

Os movimentos da consciência, que se manifestam quando sentimos culpa ou inocência, tem uma validez reduzida. Fazem-nos conhecer, em cada momento, o que devemos ou o que podemos fazer para continuar na pertença a nossa família. A inocência não é mais do que o sentimento de segurança ao saber que tenho permissão para fazer parte dela. Quem diverge dela, em compensação, sente má consciência, o que não é mais que o medo de ter perdido esse direito de pertença. Em outras palavras, a consciência nos prende a nossa família e nos separa de todas as outras. O que separa, na realidade, é a boa consciência. Aquele que desfruta de uma boa consciência rejeita os outros. Caso contrário, não poderia ter boa consciência. Aquele que tem muita moral deseja algo ruim para os outros.

Todo moralista decide sobre a vida e a morte. Quando condena moralmente alguém, na realidade fala: Pode viver ou não pode viver. E até mais: você irá para o paraíso e você irá para o inferno. Lá se chega. Onde está, então, o amor? Onde está a felicidade? Onde está a paz e a alegria? Tudo está sacrificado.

A justiça

Agora bem, não tenho certeza de poder continuar falando. Já falei demais. Vou contar-lhes uma pequena história que os deixará maravilhados. Faz um tempo, estive no Canadá com os índios. Foi organizado um curso com eles. Um chefe indígena me contou que, no seu idioma, não existia a palavra justiça. Podem imaginar isso? Não há uma palavra para a justiça. Perguntei-lhe então: que acontece quando alguém comete um crime? E me respondeu: "a pessoa é adotada pela família da vítima".

Claro, e nós pensamos ser justos. Afirmamos que queremos ser justos e, por cima de todo, nosso Deus ha de ser justo. Menciono novamente o primeiro atuante. Como ele pode ser justo? Se tudo se gera através dele, que sentido tem que ele seja justo? Quando exigimos a Deus que seja justo, ainda é Deus? Deve colocar-se a serviço da justiça, assim como o imaginamos, então o verdadeiro Deus é a justiça e o outro Deus está ao seu serviço. E que significa a justiça: mato-o. Isso é a justiça.

Não devemos nos enganar. Quando alguém luta por uma justiça contra o outro, que acontece no seu coração? Que deseja? A morte de outro. Não tenho dúvidas. Eu sei que é assim e tornei-me muito prudente. Todos os que pedem justiça, desejam a morte de outros. Quando apelam à justiça de Deus, que deveria fazer ele? Deveria matar alguém. E ainda mais, deveria deixá-lo arder no inferno para toda a eternidade. Sim, sim, exatamente isso. Que fazem, então, os bem-aventurados no céu? Olham para o inferno, o tempo todo. Não podem fazê-lo de outra forma. E isso é a felicidade no céu? Prefiro voltar para o paraíso, onde a diferença entre o bem e o mal se acaba, em outro plano.

A percepção

A consciência que nos vincula a um grupo decide o que podemos fazer e o que não. Decide o que podemos sentir e o que não. Por isso, todos os que, dentro de um grupo, estão presos para bem ou para mal, estão cegos. Temem sentir algo diferente do que autoriza o grupo.

Qual é seu medo? Medo de ser repudiado, nem mais nem menos. Por medo a Deus, os fiéis apegam-se a todas essas imagens de Deus, totalmente absurdas. Aquele que fica preso nesse medo rejeitará sempre os outros, em nome de Deus.

O gueto

Qual é a maior desgraça do Ocidente? Ninguém, antes que eu, conseguiu entender a dinâmica da consciência. Todos estavam no gueto da consciência, toda a cristandade, todos os filósofos, presos pela consciência. Até o ponto de definir a consciência como a voz de Deus na alma, continuando a qualquer preço. Porém, todos os que combatem nas guerras fazem-no com uma boa consciência, o que acontece é que as diferentes boas consciências se confrontam. Decifrei-o. Isso é o que abre o caminho para um movimento interior do amor que supera todas as diferenças.

As vítimas

Temos aqui um exemplo, muito simples. Estava uma vez em Israel. Existe lá uma escavação de uma época anterior à colonização de Canaã pelas tribos judias. Havia lá um grande altar quadrado, destinado aos sacrifícios de crianças. Aparentemente, era o costume, naqueles tempos, sacrificar o primeiro filho a Deus para que depois as bendições divinas fluíssem sobre os pais. Posteriormente, houve em Jerusalém um templo local, o templo de Moloch, onde os nobres de Israel peregrinavam desde a região da Judéia para oferecer seu primogênito em sacrifício. O ídolo era um forno. Era aquecido e depois jogavam as crianças dentro, enquanto os pais cantavam tão forte que não conseguiam ouvir mais os gritos infantis. Os profetas opuseram-se a essa prática. Também existe a história de Abraham, que teve que sacrificar seu filho Isaac. Essa era a idéia sobre o que agradava a Deus. Ulteriormente, a história foi modificada, porém, hoje em dia, quando as crianças a escutam, sentem a mesma agonia de serem assassinados.

A mãe

Onde se manifesta melhor esse espírito eterno e criador? Qual é a manifestação mais grandiosa de Deus? A mãe.

Suportamos ver nela este espírito criador atuando, presente em cada detalhe que nos traz a vida? Existe na Bíblia uma oração de Jesus que diz: "Pai nosso que estais no céu". Até agora, não vi nunca um pai sem uma mãe. O pai existe, com a condição de que exista uma mãe. Onde está a mãe, então? Quando digo: "Pai nosso, aqui está junto com minha mãe. Inclino-me profundamente diante do mistério da vida". Observam a diferença? Isso, também, é mística natural.

Porém, que fazemos depois? Relaciono-me com muitas pessoas e escuto-as falar da sua mãe. Causa-me sempre um estremecimento quando as ouço. Muitas têm três ou quatro imagens interiores da sua mãe, que provocam sentimentos particulares. Na maioria das vezes, são sentimentos de abandono. Conseguem senti-lo em vocês?

Sempre que posso, dou-me o prazer de olhar para as mães. Por aqui estava uma, com um bebê no colo. Fico muito feliz quando vejo isso. Olho-o com devoção, com profunda devoção. Se eu imaginasse do que minha mãe, ou cada mãe, encarregou-se, começando pela gravidez, o medo de algum problema ou o parto que, para certas mulheres, pode ser perigoso! Posteriormente, nos pegou no seu seio e nos alimentou, à disposição dia e noite, sempre presente em nós durante muitos anos. E que conservamos na lembrança? Três ou quatro imagens! E, então, outorgamo-nos o direito de condená-la, por três ou quatro imagens. Essas imagens representam, como muito, um por cento da plenitude da mãe. E orientamo-nos depois conforme elas?

Meditação

Fechem os olhos, farei com vocês uma meditação. Olhamos para nossa mãe, tal como é, exatamente tal como é. Assim como é, foi concebida por esse espírito eterno. Assim mesmo. Foi escolhida para nós por essa força criadora, para ser nossa mãe. Como pode alguém falar "MINHA mãe", como se a possuísse, como se tivesse algum direito sobre ela, como se tivesse exigências, quando ela é um puro presente, uma manifestação viva do divino?

 Tomo-a, agora, em meu coração, em minha alma, e no mais profundo dela encontro-me com Deus.

E permaneço diante dela com devoção. Somente aquele que toma sua mãe desta forma, toma também a vida própria, e sua felicidade.

Bom, assim é de simples a mística natural, e tão profunda.

Perguntas na conferência de Hamburgo

Pergunta: Qual é a diferença entre movimento da alma e movimento do espírito?

Hellinger: observei no meu trabalho como as pessoas são movimentadas por um movimento. Existem movimentos que nascem da consciência, do campo de uma família. Esses movimentos estão frequentemente muito vinculados com a culpa e, inclusive, com a necessidade de expiação. Culpa e expiação são ambas movimentos da consciência. Para o movimento criador, não tem maior significado.

Aquele que se sente culpado se vê importante. Pensa estar no comando do seu destino. Pensa que, se atuar de outra forma, isso terá influência nos acontecimentos. Depois, tenta desfazer-se da culpa, porém ignora, completamente, que a culpa é um movimento da consciência. Desse movimento surge em muitos uma frase interior: "Eu no seu lugar". Que quer dizer na realidade: "Eu morro no seu lugar". Quando uma mãe se sente culpada por um aborto e é atraída para aquele filho morto, como se a movimentasse um desejo de expiar, outro filho diz: "Eu no seu lugar". Este é um movimento importante, o qual traz problemas como doenças, acidentes e outros. Se uma pessoa se mantiver neste movimento, e é evidente que a psicoterapia e até as constelações se mantêm consideravelmente nele, não haverá solução. No final, somente haverá mortos.

Em compensação, alçando-se a outro nível, além da culpa e da expiação, reconhecendo em tudo o movimento do espírito e submetendo-se a ele, depois, deixando levar-se por esse grande amor, isso será um passo no espírito. Respondi sua pergunta?

A mulher duvida.

Hellinger: Claro, estes movimentos exigem um extraordinário esforço. Não são dados grátis. E são dados sem lucro.

Meditação: mais ou menos

Existem dois movimentos fundamentais na alma. Um vai para mais, o outro para menos. Seu movimento vai para menos. Que significa "mais"? Mais é sempre mais vida. Que significa "menos"? Menos é sempre menos vida.

Façamos todos juntos uma pequena meditação. Analisem no seu interior o que vem a seguir: Para onde se dirige o movimento de base? Para mais ou para menos? Mudemos o movimento para mais, mais, mais. Sintam seu efeito: sobre a força, sobre a alegria, sobre o amor.

Agora, falar-lhes-ei algo referente à minha conferência. A mística natural significa: mais, mais, mais. Mitos caminhos espirituais significam: menos, menos, menos.

Pergunta: Tenho uma pergunta pessoal. Acho difícil acolher completamente no meu coração a culpa que sinto em mim. Existe uma espécie de divisão.

Hellinger: Vou tentar dar uma resposta e espero que se ajuste a sua pergunta. Senão for o caso, pode formular novamente a pergunta.

Que faz alguém que sente culpa? Pois, provoca algo, seja a si próprio, seja a outra pessoa. O sentimento básico detrás do sentimento de culpa é sempre o ódio. Nada se opõe mais ao amor que o sentimento de culpa. Quando soltamos esse sentimento, tornamo-nos pequenos. Sinto-me então, melhor, porém não há alegria. Frequentemente, tento diminuir o sentimento de culpa atuando mais, para me sentir melhor. Entendo-o perfeitamente. A culpa tem efeitos diversos. Um deles é que me faço algo ou faço algo ao outro.

Um segundo efeito é: quando assinto a minha culpa como sendo inevitável e não procuro anulá-la de nenhuma maneira, então tenho força, uma força que me permite realizar algo bom. Os inocentes têm pouca força, os culpados, muita. Isto demonstraria que o que nos leva a sentir culpa é um movimento divino, com a condição de que entremos nele e o levemos mais longe. Então, você pode ficar contente.

O homem ri e o grupo com ele.

Hellinger: agora você consegue entendê-lo? Muito bem.

Pergunta: Tenho duas perguntas. Uma é, para onde leva a força que atua nas constelações? A segunda é, porque tudo isso ficou tanto tempo oculto? Por que ninguém percebeu que isto existe?

Hellinger: perguntei-me também. A resposta? É minha sorte tê-lo descoberto. A outra pergunta: quais são os objetivos do movimento? A idéia de um objetivo não tem nada espiritual. Os movimentos do espírito não podem ter nenhum objetivo porque, então, o objetivo determinaria o movimento. Esse movimento é sempre criador e novo. Pergunta: Quero ter certeza uma vez mais de tê-lo entendido bem. No meu sentimento, estou plenamente de acordo com o que fala. Já que eu chamaria o movimento “Deus”, porém, um Deus que não é um ídolo, senão Deus diante de quem não sente medo, porque tudo está bem na realidade. Do que não tenho certeza é do próximo. Estou muito atenta a minha consciência, porém não no sentido de culpa ou moral, senão que tenho a perspectiva de que cada coisa tem duas caras. A consciência tem uma cara negativa que tende a inculpar os outros e uma cara positiva que me leva para Deus, porém que não julga e que me guia e encaminha na boa direção. Posso dizê-lo assim? A segunda cara seria um movimento do espírito, assim como o descreve. A palavra Deus está muito carregada, está certo, também porque o personificamos.

Hellinger: a maioria das representações sobre Deus são prolongações dos pais. Aquele que não encontra seus pais deseja, pelo menos, encontrar Deus. Porém, o caminho é inverso. Aquele que encontrou seus pais encontrou Deus, nesse sentido.

Há mais para reflexionar. Se Deus existe, se há um Deus, é limitado. Tudo o que existe é limitado. Todo ser é limitado. Por isso, a imagem de que exista é indigna dele. Tenho uma imagem muito particular, como sempre. O movimento mais profundo na alma, assim como o movimento mais profundo na mística natural procura a dissolução. Mas, as fronteiras dentro de nós nascem do Eu. Não tenho nada contra o Eu. Somente com ele podemos nos definir. Porém, ao mesmo tempo, o Eu nos separa. Quando, de repente, experimentamos a semelhança com todos, perdemos toda a importância e no final nos dissolvemos. O infinito não tem fronteiras, tampouco tem existência. Não pode tê-la. O movimento sem fim vai além das imagens estreitas.

Vejo que, pelo que falou, está bem adiantada no caminho.

Peço-lhes ainda uma coisa. Tendo falado de um assunto tão essencial, não se deve acrescentar nada ao dito nem a este encontro.