Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

Textos selecionados



Você pode nos deixar seus dados e teremos o maior prazer em lhe enviar informações sobre as atividades do Instituto. Para isso, visite nossa nuestra página de contato.
Obrigada.



"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

Convidamos você, a cada hora, a criar uma nova vibração ao redor do mundo, dizendo “EU ESCOLHO A VIDA” junto com milhares de pessoas. Todos juntos a serviço da vida.












O grande conflito

O AMOR DO ESPÍRITO. UM ESTADO DO SER, Bert HELLINGER (2008)

O desejo de aniquilar

“Todo conflito grande busca afastar algo do caminho e conseguir aniquilá-lo”. Detrás destes conflitos atua o desejo de aniquilar. Quais são as forças ou os medos que alimentam esse desejo? Alimenta-se, especialmente, do desejo de sobreviver. Quando nossa vida se sente ameaçada, reagimos fugindo – isto é, fugimos para evitar que outra pessoa nos aniquile – ou bem atacamos, isto é, tentamos aniquilar a outra pessoa, ou pelo menos obrigá-la a fugir. Tirar outra pessoa do nosso caminho, ou um obstáculo que se interpõe, é o ponto máximo no desejo de aniquilar.

Em tais momentos, geralmente, não se trata somente de matar o outro, senão também de se apropriar tanto dele como de tudo o que lhe pertence. Também isso serve para sobreviver. É verdade que o canibalismo nos espanta, porém somente em aparência. Porque ainda hoje existem pessoas que, em certas situações, garantem sua sobrevivência à custa dos outros. Frequentemente é inevitável que, para poder sobreviver, incorporemos em nós mesmos aquilo que aniquilamos. É verdade que também nos alimentamos com aquilo a natureza nos oferece por sua própria vontade – seus frutos, por exemplo. No entanto, em outras ocasiões, primeiro devemos matar para posteriormente poder incorporar aquilo em nós. Isso acontece, especialmente, com os animais.

São tão inumanos estes conflitos?  Estou referindo-me especialmente aos conflitos mortais. Em uma situação de máxima necessidade não podemos fugir deles. Por um lado, os conflitos garantem a sobrevivência, enquanto que, por outro, a ameaçam. É por isto que, desde o início, o homem também tentou solucionar seus conflitos de forma pacífica. Por exemplo, estabeleceu acordos e definiu fronteiras; formou grupos menores que se regem por leis e compartilham a condução. Deste modo, uma ordem legal mantém os conflitos mortais dentro de certos limites, especialmente mediante o monopólio de poder de um governante, quem limitará a ação de indivíduos ou subgrupos quando estes busquem solucionar seus conflitos de forma violenta.

Esta ordem é externa. Baseia-se, por um lado, em um acordo. Baseia-se especialmente no medo do castigo máximo: a exclusão do grupo e a pena de morte. Isto é: esta ordem impõe-se pela força e, portanto, constitui, ao mesmo tempo, um conflito e uma luta. Entretanto, este conflito responde a uma ordem que está a serviço da sobrevivência do grupo e de cada um dos seus membros. Por conseguinte, a ordem legal coloca limites ao desejo individual de aniquilar e quando este se excede, a pessoa e o grupo ficam protegidos pela ordem legal. “Se estes limites não forem respeitados, como acontece na guerra ou quando a ordem legal é colapsada – em caso de revolução, por exemplo – então o desejo primário de aniquilar estourará e suas consequências serão catastróficas.”

O DESLOCAMENTO DO DESEJO DE ANIQUILAR

“Em grupos onde a ordem legal protege o indivíduo dos efeitos do desejo de aniquilar –próprio e alheio- algumas vezes, o desejo de aniquilar é deslocado para outros níveis”. Por exemplo, desloca-se para o campo da política e também para muitas disputas científicas e ideológicas.

Em todos os casos nos quais se abandona o plano da objetividade fica à vista, frequentemente, o fato que nesses campos também opera um desejo de aniquilar. Em vez de encarar uma pesquisa conjunta para a melhor solução e uma observação e um exame conjuntos baseados no tema a tratar, os representantes do outro partido ou de outra tendência são difamados a nível pessoal, muitas vezes com calúnias e injúrias. As agressões que surgem aqui se diferenciam pouco do desejo de aniquilação física. Como este, elas aspiram desde a emoção e desde a intenção de aniquilar outra pessoa, pelo menos no aspecto moral, declarando-a inimiga do grupo – com todas as consequências que isso supõe.

Pode o indivíduo proteger-se diante disto? Não. Fica à mercê deste conflito mesmo que não se envolva. “Como resposta a esse tipo de agressões, corre perigo de sentir, em seu interior, o mesmo desejo de aniquilar e também o de não poder evitar ser possuído por esse desejo.”

A JUSTIÇA

“A energia que sustenta estas controvérsias não provém somente do desejo de sobreviver, também surge de uma necessidade comum a todos os seres humanos: a procura de compensar aquilo que dão e aquilo que tomam, a tendência a equilibrar os lucros e as perdas”. Algo que também conhecemos como a necessidade de obter justiça. Somente nos acalmamos quando alcançamos a compensação. Por isso, a justiça é para nós um bem muito apreciado.

Mas isto acontece em todos os casos? Ou é somente em um marco limitado, quando se trata de compensar por via pacífica? Porque a necessidade de obter justiça tem consequências completamente diferentes quando se trata de compensar o prejuízo e a perda.

 Explicá-lo-ei mediante um exemplo. Quando uma pessoa nos prejudica, buscamos vingança. Nós também desejamos fazer-lhe mal, como uma maneira imediata de compensar. Em nosso interior surgem o desejo de sobreviver e o de aniquilar. Em parte devido à necessidade de compensar – neste caso buscando justiça. Queremos evitar que a outra pessoa nos faça mal novamente, nos machuque.

Por isso, quando nos vingamos, frequentemente vamos além da necessidade de compensar e fazer justiça. Queremos que sofra mais do que nós sofremos por sua culpa. Então, também o outro buscará justiça e vingança, e o conflito nunca terminará.

Neste caso, fazer justiça é um pretexto para se vingar. “O desejo de aniquilar se abre passo novamente, desta vez em nome da justiça.”