Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

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"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

Convidamos você, a cada hora, a criar uma nova vibração ao redor do mundo, dizendo “EU ESCOLHO A VIDA” junto com milhares de pessoas. Todos juntos a serviço da vida.












O amor adulto no casal

Bert Hellinger no Congresso de Neuchatel, 3-4 de junho 2005

Rilke: Não se desespere nunca, quando perdemos algo, tudo retorna melhor.

O amor no casal

Que acontece quando nos abraçamos? Abrimos os braços, nos aliamos, vamos um para o outro, nos abraçamos, estamos próximos. Estamos em um vínculo profundo. E a pregunta é: Por quanto tempo podemos suportá-lo? Decorrido um tempo, precisamos nos afastar um pouquinho. Os braços permanecem abertos. E olhamos para detrás do outro para algo maior. Vemos sua família, vemos seu destino, a vida em seu conjunto. E abraçamos o conjunto. E olhamos novamente, nos aproximamos, mas desta vez somente até certa distância, nos olhamos e vemos o outro, rodeado de algo mais amplo. E nós também. E depois desse ponto a relação será segura e grande: é o outro olhar, o olhar que alcança longe. Depois desse ponto haverá plenitude.

Vibrar

Quando estamos em vibração, algo se ficou em movimento na alma. E é suficiente. Enquanto estamos na vibração estamos em movimento, seja qual for a direção que tomemos. Fazemos um lugar na alma a alguém que não o tinha. Olhe e procure a vibração.

Ajudar um casal

O terapeuta vibra, depois vibra com o mundo, depois vibra com o outro. O terapeuta ajuda o casal a encontrar essa vibração. O terapeuta coloca-se em vibração, depois vibra com o casal. E o casal com ele.

O que significa ajudar um casal? O terapeuta imagina o que poderia ser mais justo para o casal, porém, trata-se de outras forças. É necessário retirar-se e deixar que a vida viva através do homem e da mulher, deixar que a vida viva como achar melhor, somente espere. E surpreender-se do movimento da alma.

Frequentemente, quando queremos ajudar buscamos uma solução e a imaginamos. Às vezes, é impossível, vai além de uma psicoterapia. No interior temos forças da vida além do imaginável. Então, olhamos além de cada um individualmente, para algo mais potente, onde tudo é grande. E tal como foi. E costuma ser diferente do que imaginávamos. Se nos ouvíssemos para sentir o efeito veríamos como mudamos. Quando tenhamos desejos com a relação, sejamos humildes e sintamo-nos levado por outras forças. E lá encontraremos a plenitude.

Observe qual dos dois membros do casal precisa menos do outro. A melhor relação é quando os dois se precisam. Observe qual dos dois têm mais dificuldades.

A mãe e a pátria é a condição para uma boa relação de casal. A pátria é algo nosso. É a mãe. Vai unida ao nosso destino. Somente nela podemos crescer e servir à paz.

O casal: relação entre dois grupos

Uma relação de casal entre duas pessoas é uma ilusão, não existe. Trata-se de uma relação entre dois grupos, entre dois grupos potentes, dois sistemas familiares. Um grupo está a serviço do outro. Cada grupo procura outro grupo para colocar ordem no seu. E, às vezes, o consegue.

Quando um grupo procura outro grupo para resolver algo, o que se produz está além do amor entre o homem e a mulher, existem outras forças. Assim, a mulher se transforma no destino do homem e vice-versa. Porém, são as origens de cada um as quais se transformam no destino do outro. Cada um está preso a uma rede de intrincações, também leva parte do destino do outro no destino comum e, ás vezes, executa em positivo seu próprio destino.

Os homens morrem, as mulheres vivem.

Mas, ás vezes, os destinos estão tão em contradição que devem se separar. Quando uma pessoa teve que pegar o destino do outro, e isso o impediu de crescer e realizar-se, deverá separar-se por fidelidade ao seu destino.

A relação de casal é o começo de uma nova família. Crescemos em uma família, saímos dela e criamos uma nova. Nesta nova família, continuamos experimentando o que vivenciamos anteriormente.

Vivemos sempre dentro de uma família. E somente dentro de uma família.

O princípio da família: amor entre o homem e a mulher. E posteriormente, os filhos.

Cada um tem uma tradição diferente, e devem encontrar-se mesmo que sejam diferentes, as duas famílias devem encontrar-se, nessa nova família, as duas encontrarão sua continuação.

Destino

Trata-se de uma comunidade de destinos. Que são os destinos? Os mortos, especialmente os mortos excluídos, rejeitados. Têm efeito de destino sobre aqueles que os seguem.

Como mudar o destino para que seja melhor? Como fugir da intrincação?

Dando a esses mortos um lugar em nosso coração, em nossa alma. Vibraremos com eles, absorveremos sua ressonância e vibraremos juntos. Assim, uma plenitude maior dará força à relação. Para muitas famílias, os filhos abortados transformam-se em um destino particular e se vibrássemos com eles, estariam sob a proteção da família e, em vez de ser a origem de um destino grave, transformar-se-iam em um destino favorável.

Abortos, vida e morte

O que é grave para o filho abortado não é o fato de ter sido abortado, senão que tenham desejado desfazer-se dele.

Pois olhando para o curso da vida, a vida se alimenta da morte, a vida continua porque outros morrem. E aqueles que morrem estão a serviço da vida, inclusive os abortados, por si próprios, na sua alma, estão a serviço da vida.

No soneto a Orfeu de Rilke: “o filho, fruto de um dos meus encontros, morreu e fez-se um lugarzinho no meu ouvido, lá está sua caminha, e esta morte vibra no meu ouvido e dorme o mundo. Esta morte percebe tudo através de mim, então onde estará sua morte? Dorme o mundo, vibra com tudo o que acontece, o que ouço, digo e canto. Não pode faltar-lhe nada.” Escutemos os filhos abortados em nosso ouvido, vibremos com eles, assim não lhes faltará nada.

Com esse olhar, é descoberta uma felicidade na plenitude, na qual os vivos e os mortos continuam vibrando com a vida como um todo.

Os filhos anteriores

Quando existiram filhos de outro parceiro, algo novo deve vir com o novo parceiro sem substituir o que foi e, assim, a união será mais profunda. Seria fácil demais, barato demais, fazê-lo de outra maneira, a antiga felicidade, a anterior, cabe na nova.

O novo é possível graças a uma nova compreensão. Olhar para o que foi ou reproduzi-lo é um obstáculo à vida.

Exercício individual

Retorne ao passado, retorne ás relações anteriores, veja seus resultados, os filhos. Olhe para estes antigos parceiros no grande contexto que existiu e diga-lhes obrigado.

Veja todo o passado, o grande que foi e diga-lhe obrigado.

Diga ao seu anterior parceiro: o tomo tudo em meu coração, com amor. E o guardo, o conservo com amor.

O respeito aos homens

Poucos homens são respeitados. Para os filhos homens seria a chave da felicidade que seus pais fossem respeitados.

A filinha de papai não tem respeito pelos homens, nem pelo seu pai. Julga-se melhor do que sua mãe para seu pai e, assim, coloca-se por cima de ambos os pais. Lá, todos perdem.

O campo morfogenético

Ao campo morfogenético pertencem todos os membros da família, todos os segredos, todos os mortos. Não há segredo, somente memória, tudo está no campo.

Nova Orientação

Quando respeitar o destino de uma pessoa, quando for grave, sei que não deveria intervir pela sua profundidade e gravidade, muitos daqueles que ajudam, isto é, muitos dos Psicoterapeutas, estimulam-se quando observam este fato. A crítica contra mim e contra este trabalho deriva daqueles que não suportam este fato, a profundidade desta realidade. Imaginem que desastres causariam a essas famílias! Por isso, me retiro deste estilo de trabalho. Vou para outra direção de trabalho, vou com os movimentos profundos da força da alma, um movimento criador da força. E este é diferente do que pensamos que deveria ser.

Animar este movimento, vibrando com este movimento e seguindo-o, sem escutar os outros, em uma atitude de respeito para este movimento. Isto é servir a vida em sua grandeza.

É minha orientação atual, estou a serviço da vida.

Não aprendemos. Não há método. Este movimento profundo vive. Coloco-me à disposição, para entrar nele. Assim, será possível ajudar de uma forma que esperávamos há muito tempo.

Se uma pessoa ficar sozinha debilitar-se-á, será necessário irmos juntos neste movimento. A força derivará da presença de todos vocês apoiando o que aconteceu e entrando cada um neste movimento. Assim, poderão construir um círculo de amigos, uma vez por mês, com mais pessoas. E treinar-se-ão a serviço da vida, durante uma hora, e cada um falará o que sente e o que encontra na experiência do outro, sem conselhos.

Quando não houver ambição nem ilusão, som ente amor, não prejudicará.

Os mortos de guerra

Os mortos se transformam no destino dos vivos. Como faremos para que seja um destino bom? São, especialmente, os mortos de guerra os que se transformam em destino dos vivos.

Em um parque, no Belgrado, não conseguia avançar, havia muita energia contra. Preguntei e me falaram que foi um campo de batalhas, então, dentro de mim, olhei para os mortos esquecidos, dei-lhes um lugar em meu coração e, assim, consegui continuar avançando.

Na Polônia, lá onde levaram os judeus, ou onde estiveram os campos de concentração, há um peso sobre a vida de hoje. Na alma dos polacos faltam os judeus mortos. Falei-lhes que deveriam dar-lhes um lugar na sua alma e o entenderam.

Na Silésia, percebi que os que faltavam eram os nativos. Se observarmos os alemães veremos que faltam os judeus. As pessoas ficaram zangadas com os assassinos e esqueceram-se dos mortos.

Devo dizer o que vejo, não tenho medo de dizê-lo. Os terapeutas costumam não suportar a evidência. Se me retiro quando observo algo duro, pode acontecer-me algo terrível. Rilke diz: aquele que separa uma vez a verdade da sua alma perde para sempre o caminho. Afastar os olhos da verdade é muito perigoso.

Na esquizofrenia há um assassinato escondido. Quando conseguirem ver o que estava escondido, curar-se-ão. O esquizofrénico é livre quando os dois, vítima e assassino, se reconciliam na sua alma.

Quando alguém nascido posteriormente deixe de interferir no que aconteceu anteriormente, será quando tudo se liberará.

A força das guerras deriva de que os descendentes estão vingando seus antepassados. Com alegria. E de que, posteriormente, ganharão medalhas devido a que mataram várias pessoas.

E os mortos? Transformam-se em espadas em mãos de crianças.

A justiça

A justiça é um mito. Nunca existiu. Procuramo-la, mas nunca a encentramos.

Que procuro na justiça? A morte do outro. Quem foi prejudicado, pensa com ideias assassinas ou pensa com amor? Definitivamente, deseja ser vingado. Que morra e que vá para o inferno! Terá suficiente castigo? Não, a justiça não estará nunca satisfeita.

No Canadá, existe uma tribo na qual não existe a palavra justiça, culpado ou assassino. Então, como chamamos alguém que faz um mal ao próximo? Mal ensinado ou doente. E, que acontece quando existe um assassinato? A família da vítima adota o assassino.

Nossa cultura ocidental tem um grande Deus, um Deus justo, que condena. Um Deus justo não pode ser Deus porque está a serviço de outro Deus, de um ídolo. Está a serviço do ídolo supremo: a justiça, o ídolo mais sanguinário que existe.

As guerras e represálias são sacrifícios ao ídolo da justiça.

O equilíbrio em casal

O intercâmbio é possível pela necessidade de equilíbrio. Quando recebemos precisamos dar, devolver, de um modo irresistível. No casal e na história entre aldeias também. Se um país se estender demais, posteriormente haverá uma pressão contrária até que volte a ser como todos. Por exemplo, a Colômbia, a Venezuela: a volta da conquista dos espanhóis é a saída atual dos nativos. Vejam os países eslavos, como estão encontrando sua dignidade agora.

A relação de casal é de amor, damos com amor. A pessoa dá com amor, o amor dá de volta com amor; dá um pouco mais, o outro devolve um pouco mais, o intercâmbio e a felicidade aumenta, o vínculo se intensifica.

Aquele que dá demais ameniza a relação. Não devo dar mais do que o outro pode me devolve. Há um limite para o que se dá e o que se pede ao outro. Aquele que dá demais está em uma postura de poder, obrigando o outro. Se der demais atuarei como uma mãe.

Que é a liberdade? É: não dou nada, não recebo nada, não estou vinculado, estou livre e vazio.

Que é o amor? Estar cheio e vinculado.

O equilíbrio negativo

Se uma pessoa fizer um mal, o outro sente a necessidade de lhe devolver esse mal, e somente se o fizer se restabelecerá a relação.

O perdão

Que impede o restabelecimento da relação? O perdão. O perdão é um veneno. A pessoa situa-se por cima do outro. O perdão separa.

O instinto de vingança

Se for ferido, desejo ferir o outro e lhe fazer mais mal ainda. Não é má intenção, é um movimento arcaico que se desenvolve na alma, desejo destruir o outro, tenho desejos assassinos. Não é maldade, é um processo elementar que nos vincula com os movimentos primitivos da nossa história, de sobrevivência da espécie, para ter uma segurança relacionada com o nosso grupo.

Este instinto de sobrevivência não deve ser subestimado. Derivará na destruição mútua.

Existem casais que se juntam e dão o poder de destruição a uma instância superior - o Estado – e isso os protege da sua própria vontade de destruição (é um instinto que existe dentro de todos nós). Então, começará a pilhagem e a destruição mútua.

A ordem nos protege porque treina nossa vontade destrutora. Então, substituímo-la, transferimo-la à crítica, aos debates, especialmente através da mídia. A destruição terá ali toda a liberdade.

A ordem estabelecida permite canalizar a vontade destrutora: processos, acusação, justiça. Deus também é movido pela vontade destrutora: o inferno dos cristãos.

A expiação é uma vontade de destruição dirigida à própria pessoa. O desejo sagrado significa a mesma coisa: os Ascetas se destroem a si próprios.

No casal, algo poderá ser feito se um deles fez um mal: o outro deve vingar-se com amor, para salvar a relação. Fará algo menor do que lhe foi feito, o outro se surpreenderá e o amor começará novamente.

Como ir além da moral na relação? Cada um dará para o outro a permissão de dez erros e, assim, a relação permanecerá humana e normal.

Fidelidade a quem ou a que

Amo-o e amo o que nos guia, amo o que o guia, amo o que me guia. É uma dupla fidelidade.

Em uma relação é um erro acreditar que devemos ser fiel em tudo, devemos colocar primeiro a fidelidade no destino próprio, em algo superior, no divino, na sua alma, no movimento profundo da sua alma. Ás vezes, isto obriga à separação, porque o outro não deseja segui-lo, ou obstaculiza-o. Então, tratar-se-á de uma separação com amor. Amo o outro e seu destino, me amo. Cada um poderá apoiar o outro, inclusive, quando se separarem.

A sexualidade

Quando existe um problema na sexualidade do casal, devemos apoiar o homem em seus ancestrais masculinos, e a mulher em seus ancestrais femininos. E cada um dirá para o outro: Você é mais do que minha mãe, é minha mulher e sou feliz com você como esposa.

A pessoa sozinha, do seu sexo, no casal terá pouca força, pouca valentia, seria pouco confiável, mas se estiver com todos os do seu sexo, da sua família, será bem diferente!

Nos casamentos, antes convidávamos toda a família, isso dava mais força. O casal se unia com toda a tradição.

O lugar

Muitas pessoas colocam-se por cima dos pais, acreditam que são melhores do que eles, assim não terão força e rapidamente cairão.

Cada um chega para o último lugar, no vale. Lá, se juntam todas as águas, embaixo, no fundo estão todas as águas. De lá olhando para cima, para a fonte da água, a pessoa é pequena e tomando com os ancestrais, apoiando-se neles e olhando para frente, crescerá e chegará a se tornar igual. Primeiro sou pequeno e depois grande.

O amor e a morte

A instituição da relação de casal é uma instituição contra a morte, contra o final, pelos filhos. Quando um casal for constituído deverá enfrentar-se ao adeus, seja qual for seu amor este acabará.

O amor eterno é breve.

Alguns temem esse adeus. Temem que seu grande amor se acabe, então ficam na dúvida diante da relação de casal, já que quanto mais amor, mais doloroso será o adeus.

Alguns querem sofrer pouco, então preferem não ter relação de casal.

O grande amor olha frente a frente o adeus e lá no final. Graças a isso é incandescente. E quando mais olhar para isso, mais forte será o instante presente.

Na relação, treinamos o adeus definitivo, despimo-nos do que é visível, das ilusões. E cada crise é a despedida de uma ilusão. Despois da crise, os dois serão mais modestos, o amor maior e mais confiável.

Depois, chegará a despedida definitiva.

Em uma doença terminal, olhem-se nos olhos e digam: ficarei do seu lado enquanto puder.

O amor é como uma luz no crepúsculo. Depois chegará o adeus, a morte de um dos dois. Aquele que ficar será abandonado à dor. O grande amor é igual a grande dor. Será bom abandonar-se a essa dor, permitirá a despedida, a separação e liberará, preparará para o que vier a seguir.

Alguns acreditam que devemos seguir fieis ao morto. Falando de Wilson, quem se casou novamente um ano depois da morte da sua esposa, Freud disse que aquilo era o sinal do grande amor pela primeira esposa. O amor está a serviço da vida, é benevolente para o outro, além da morte.

Dizer adeus e depois olhar para frente, a serviço da vida, isso revela o amor.

Um longo duelo é uma ausência de amor, é uma manifestação de expiação, de culpabilidade e de não amor.