Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

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"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

Convidamos você, a cada hora, a criar uma nova vibração ao redor do mundo, dizendo “EU ESCOLHO A VIDA” junto com milhares de pessoas. Todos juntos a serviço da vida.












História da má consciência, o Bem e o Mal. Segunda parte.

Der Austausch, Bert HELLINGER, 2002.

Consciência e doença

Depois desta preparação, podemos entender melhor as diferentes maneiras de como os conflitos entre a consciência pessoal e a coletiva podem conduzir também às doenças ou aos acidentes graves e, inclusive, ao suicídio. Deste fato surge a importância de procurar as vias para evitar os efeitos mórbidos e destrutivos destas consciências.

Com relação à consciência pessoal, na Psicoterapia evidencia-se que a vinculação dos filhos aos seus pais e sua família normalmente é tão forte que estes estão dispostos, prazerosamente, a sacrificar sua saúde, sua felicidade, e inclusive sua vida, se isso os unir com os membros da sua família, inclusive quando estes já estiverem mortos, ou que, pelo mesmo motivo, os filhos escolhem com prazer o mesmo destino drástico que outras pessoas tiveram antes que eles. Em ambos os casos, esta decisão e as consequências que dela derivam estarão unidas a uma profunda satisfação e felicidade íntima para o filho. É a felicidade da inocência vivida e do direito irrenunciável à pertença. Todos esses efeitos serão fomentados e, inclusive, exigidos pela consciência pessoal, quem os gratifica e os acolhe. Tal comportamento pressupõe uma confiança cega nesta consciência, inclusive contra a própria convicção e contra a razão.

Assim, as frases que o indivíduo dirá internamente ao outro membro da família serão, por exemplo: “o sigo” ou “quero compartilhar seu destino” ou “farei tudo para lhe ajudar”.

Unida a esta necessidade cega de pertença atua também a necessidade de compensação. Já que esta também atua instintivamente e, portanto, cegamente. Este fato leva à ideia de que é possível libertar um membro amado da família dos seus sofrimentos através da desgraça e do sofrimento próprio. Assim, alguém seduzido cegamente pela sua consciência dirá internamente frases como: “melhor eu do que você” ou “eu morro para que você viva” ou “eu levarei sua carga”.

Algo parecido é válido também, com relação à necessidade de pertença e compensação, para o início de ordem. Direciona a que, através da observação exata das leis e da obediência cega diante de mandamentos já obsoletos desde faz tempo, se pretenda garantir a pertença para sempre e a salvação para si e para as outras pessoas. Encontramos esta postura em muitos fundamentalistas, qualquer que seja o âmbito.

Será útil destacar aqui que nossa consciência pessoal não somente determina nossa relação com os vivos, senão também com os mortos. No entanto, neste caso o movimento parte dos vivos, não ao contrário. Este movimento é, devido a isso, unilateral e cego diante dos mortos. Não lhes perguntamos quando desejamos fazer algo por eles e não os respeitamos como interlocutores.

No caso da consciência coletiva, será ao contrário. Nesse, o movimento parte dos mortos e envolve os vivos com os mortos nos seus assuntos e em questões não resolvidas.

Para a Psicoterapia, a forma de atuar da consciência coletiva explica como chegamos às intrincações nos destinos dos outros membros da família, com todas suas consequências de amplo alcance para a saúde, e não somente para a física, senão também para a anímica. Se alguém estiver intrincado com dois membros da família que tiveram um conflito entre si, por exemplo, com um criminoso e sua vítima, isso levará à esquizofrenia.

A intenção negativa

Ainda desejo chamar à atenção sobre outras influências mórbidas que estão fora dos âmbitos mencionados até agora. Existe também uma influência imediata do exterior, de pessoa a pessoa ou de alma a alma, que adoece. Do modo mais evidente, observei-o até agora com a neurodermatite. Aqui, atua uma intenção negativa que, no lugar de afetar um culpado, afeta um inocente; isto é, por regra geral, uma criança em vez de um adulto. Observei este fato por primeira vez no caso dos casais separados. Quando um parceiro/a anterior está com raiva do membro do casal que se separou dele/a, às vezes um filho do relacionamento posterior padece neurodermatite. O caminho para a cura se apresenta, então, através da reconciliação com este parceiro/a; por exemplo, honrando-o e implorando que seja atencioso com o filho, no sentido que sua intenção negativa seja anulada pela sua bendição.

Também é válido para outros contextos comparáveis; por exemplo, quando um morto ainda está zangado com um vivo. Lembrei aqui da constelação de uma mulher em cuja família alguns membros sofreram ao longo de três gerações uma doença intestinal grave, pela qual faleceram. Descobriu-se que o avô teve um relacionamento com a mulher do seu irmão, quem posteriormente perdeu a vida durante uma revolução. O representante desse morto era inflexivelmente duro e airado com seu irmão, e seu filho e neto. Não se tornou conciliador e gentil até que estes admitiram tê-lo tratado injustamente e inclinaram-se profundamente perante ele. Nesse momento, deitou-se no chão e aceitou estar morto.

O apego dos mortos aos vivos

Ultimamente, podemos observar repetidamente em constelações que os mortos atraem, ás vezes, os vivos para si. Estes podem adoecer mortalmente. Em uma família, por exemplo, os três filhos adultos tiveram câncer, e um deles já havia morrido. A avó materna desses filhos morreu quando a mãe nasceu. Na constelação, descobriu-se que desejava atrair para si, para a morte, esta filha e também seus netos. Pois não era consciente de estar morta. Isto aparece muitas vezes em casos nos quais alguém morreu repentina e inesperadamente. É como se estes mortos não tivessem podido despedir-se da sua vida. Por esse motivo, devemos fazer-lhes tomar consciência que estão mortos e que, se atraírem os vivos, não somente os atrairão para eles, senão também para a morte.

A solução                           

A pergunta então é: como podemos ajudar nestes casos? Existe uma saída do cativeiro para estas consciências ou permaneceremos inermes em suas mãos? E, existem métodos para libertar alguém da intenção negativa de outra pessoa e do apego dos mortos?

Em primeiro lugar, devemos saber que o mero conhecimento sobre o modo de atuar destas consciências tem um efeito liberador. Anulará a cegueira que previamente nos fazia tentar a cegas. Este conhecimento não pode ser recebido das consciências, senão somente de uma força que está colocada na frente delas e é superior. Porém, não nos enganemos nem menosprezemos estas consciências, ou acreditemos que podemos ou estamos autorizados a fugir completamente delas. Porque são extremadamente poderosas e significativas. Neste caso, somente podemos tentar ampliar suas limitações e satisfazer as necessidades e as leis vitais que nelas atuam, de modo que façam maior justiça as suas questões internas do que se as seguíssemos cega e instintivamente. Poderíamos dizer, portanto, que também as consciências esperam nosso desenvolvimento para algo Maior, que conserve e, ao mesmo tempo, complete sua função originária. Este desenvolvimento torna-se possível através da alma, mais exatamente através da Grande Alma. Também é válido para o que mencionei sobre a intenção negativa e a atração dos mortos.

A essência da alma

A alma (do latim animan: ar, alento) é aquela força que vivifica, mantém unido e dirige o animal. Já que as condições para a vida pressupõem um desenvolvimento dirigido que a prepara e cria as bases para seu desdobramento e sua permanência, é óbvio compreender que também este desenvolvimento esteja movido pela mesma força. Isto é, a alma é a força que porta e dirige todo o desenvolvimento. Devido a isso, a evolução, isto é, aquele processo no qual, a partir do simples, surge algo através da diferenciação cada vez mais complicado, também esteja animada.

Portanto, faz parte da essência da alma sua tendência ao progresso. Por isso também, podemos entender a consciência coletiva, evidentemente mais velha, e a consciência pessoal, mais jovem, como degraus no desenvolvimento progressivo da alma.

Os movimentos da alma

Nos últimos anos, a constelação familiar deparou conhecimentos novos e surpreendentes que nos fazem compreender, pela primeira vez, a ação da consciência pessoal e que nos permitem, especialmente, um olhar para as leis que sustentam a consciência coletiva. Deste fato, surgem os conhecimentos de como podemos resolver também os conflitos procedentes dessa consciência.

O que acontece é que na constelação familiar os representantes dos membros da família, no momento em que estão em relação mútua, sentem como as pessoas reais que representam, sem saber absolutamente nada sobre elas. Isso chega tão longe, que adotam os sintomas destes membros e percebem os movimentos que empurram estes membros em uma direção determinada. Esta percepção é possível, inclusive, quando é colocada somente uma pessoa. Isto é, dita percepção não somente é possível pela disposição espacial, senão que supõe uma relação imediata entre a alma do representante e a da pessoa representada por ele, uma relação não somente com os vivos, senão também com os mortos. Este fato também explicaria como é possível chegar ao efeito de uma intenção negativa ou à atração por um morto.

Aonde conduzem os movimentos da alma? Em primeiro lugar, prestam atenção a que todos sejamos valorizados, e não somente os membros do sistema ao qual pertencemos, como exige a consciência coletiva, senão também todos aqueles que estão fora do nosso sistema, incluídos os que consideramos uma ameaça ou inimigos. A grande alma reconcilia o oposto. Por esse motivo, os movimentos da alma conduzem além dos limites da consciência coletiva.

Relacionado com este fato, ditos movimentos anulam a diferenciação entre o bem e o mal (isto é, a função própria da consciência coletiva), com o que também anulam a possibilidade de diferenciar entre a culpa e a inocência. E, em certa medida, anulam, além do mais, a diferenciação entre os vivos e os mortos.

Os movimentos da alma nos obrigam a abandonar esta postura referente ao eu e à pessoa, e ver tanto as coisas boas como as más que aconteceram em nossa vida, assim como o destino de grupos e aldeias, como determinado e dirigido por forças. Esta alma toma a seu serviço, usa e utiliza para seus fins, incluídas as consequências que possam ter para eles e para os outros, tanto os que consideramos ruins, criminosos e culpados.

Às vezes, temos, por exemplo, a ideia de que a morte de uma pessoa foi provocada ou causada por outras pessoas. Por exemplo, em um acidente mortal de trânsito por um motorista desconsiderado, no caso de um doente por má práxis do médico ou em um assassinato pelo assassino. Tudo isso está certo desde o ponto de vista da consciência pessoal. O causante do acidente, o médico e o assassino se sentem culpados. Sua alma deseja ressarcir na medida do possível o mal causado e inclusive deseja expiá-lo como corresponda. Também os membros sobreviventes da família e os poderes públicos desejam que os criminosos paguem e sejam castigados, conforme a gravidade da sua responsabilidade.

Porém, que desejam os mortos? Na constelação familiar, expõe-se que não consideram sua morte causada pelos homens, senão que ela está em mãos de um poder superior, e eles, por sua vez, estão em harmonia e paz com esse poder. Por este motivo, entre os mortos não governam as mesmas leis (referente ao bem e ao mal e referente ao criminoso e à vítima) que entre os vivos; isto é, superam a necessidade de justiça, tão importante para os vivos, e nós, ao persistirmos nela, transtornamos os movimentos da alma. Isto é, aprendemos nas constelações, quando representamos os mortos pelos vivos, em quais movimentos da alma os vivos deveriam confiar para encontrar a harmonia com o que para eles também aparece como futuro.