Instituto de Constelações Familiares Brigitte Champetier de Ribes / Brasil

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"Eu escolho a vida" a cada hora em ponto

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As Novas Constelações Familiares

Brigitte Champetier de Ribes
Artigo de 2011, atualizado em novembro de 2017

As Constelações Familiares são as ferramentas correspondentes a um pensamento, e conforme evolui este pensamento, irá evoluindo a ferramenta. A técnica de representar uma pessoa desconhecida ou uma abstração, e receber informação desta representação, é antiga. E a técnica adapta-se à visão de quem a utiliza.

 Em uma primeira etapa, Bert Hellinger atuava como psicoterapeuta, inspirado especialmente pela Psicanálise e pela Gestalt, nas quais o psicoterapeuta tem o poder e o conhecimento. Os representantes estavam sob suas ordens. Não tinham autonomia de movimento. Procurava-se uma imagem curadora para o cliente.

 A constelação era uma representação fixa, imóvel, unicamente dirigida pelo Constelador (e pelo cliente quando colocava cada representante).  Este modelo de Psicoterapia durou uns quinze anos, e continua estando presente na constelação com bonecos.

Quando nos situamos diante de algo maior que dirige tudo, deseja-o tudo como é, e o movimenta tudo com amor, nós já não podemos ser quem movimentemos os representantes ou os façamos falar.

 No final dos anos noventa, Bert Hellinger abandonou o modelo de Psicoterapia, mostrando que a vida é muito mais do que Psicoterapia, e que diferentes forças dirigem nossas vidas; forças que são muito superiores a nós, que nos orientam continuamente para a unificação e o amor.

A constelação faz aparecer muitas destas forças, e somente o movimento impulsionado por elas é o que provoca a cura.

 E Hellinger entendeu que isto se refletia no fato de que os representantes têm um movimento autônomo e involuntário que guia a constelação para um desenlace imprevisível, o qual será fonte de cura para todos.

 Observou que se os representantes estavam centrados e sem intenção, movimentavam-se espontaneamente de uma forma muito lenta para uma solução inimaginável para o constelador. No começo, chamou este movimento “movimento da alma”.

 Paralelamente, até mais ou menos o ano 2003, esteve abrindo-se fenomenologicamente à consciência moral. A partir de então, pôde compreender que nossa fidelidade, em forma de consciência moral, limita nossa entrega à vida e à cura, e que a cura é sempre um movimento de reconciliação que vai além dessa consciência moral. Uma força superior a todos movimenta tudo: desde a consciência moral e suas consequências trágicas para a cura e a felicidade dos seres humanos. Tudo está movimentado desde o amor, a serviço da vida, pelo amor do espírito.

 Assim, Bert diferenciou entre movimento da alma e “movimento do espírito”: o movimento da alma que abrange os representantes é um movimento arcaico que mostra a dinâmica inconsciente na qual o cliente está preso, preso em uma intrincação, consequência da consciência moral; o movimento do espírito é o movimento que surge depois, frequentemente como consequência de uma frase curadora, e leva para uma reconciliação e para a cura. Era considerado como um movimento externo ao sistema humano, como um movimento do campo do espírito.

Esse espírito ou grande consciência que pensa tudo e que conforme pensa cria, é o pensar, ao mesmo tempo, que o pensado.

 Foi possível entender que o movimento do Espírito pertencia tanto a Algo maior, a essa Grande Consciência ou ao Vazio Criador (como desejemos chamá-lo), como à Humanidade e a todos os sistemas humanos.

 Já não procuramos uma imagem, senão um movimento; e, além disso, um movimento de reconciliação.

A cura, então, é a cura que precisa todo o sistema familiar. É a cura boa para todos. Não há cura individual.

 Desde o livro “El Manantial” do ano 2002, Hellinger explica como constelar: deixar atuar o campo. E em vários momentos, por exemplo, no livrinho sobre as Constelações do Espírito, explica que as “antigas” constelações eram constelações de morte, eram perigosas para o constelador, e se bem permitiam uma cura à primeira vista, criavam, a posteriori, novas desordens, já que não respeitavam os sistemas familiares, com novas consequências negativas para a família do cliente.

Em que não respeitavam os sistemas familiares?

O constelador achava que era o curador.

Por um lado, aplicava “sua” solução, e por outro lado, não respeitava a ordem: era permitido movimentar ou fazer os ancestrais falarem, e também pedia ao cliente que faltasse ao respeito aos seus familiares, movimentando-os. Evidentemente, sem percebê-lo, pensávamos que era o correto…

 Nas Novas Constelações Familiares, vemos que a energia de cura está no cliente e no campo. E essa energia de cura abre-se quando a pessoa sintoniza com a vida como é. O constelador coloca-se a serviço do vazio criador e ajuda o cliente a assentir a tudo como é.

O Centro

As novas constelações (do espírito, quânticas, etc.), isto é, as constelações desde o Centro, são os novos instrumentos que surgem espontaneamente do campo se nos deixamos levar, se estamos centrados…

 É o requisito para praticar estas constelações e movimentos. Este centramento ou apertura ao maior, à nada, ao vazio, ao amor do espírito, demanda prática e, especialmente, crescimento interior, tanto por parte do constelador como por parte dos representantes.

 Não todo o mundo pode representar. Já que, se o representante ou o constelador não estiverem centrados manipularão, projetando suas necessidades; e o resultado será perigoso para o cliente, e, por ressonância, perigoso para esse mesmo representante e para o constelador, já que será o responsável do que acontecer.

 O grupo

Na constelação existem dois planos presentes simultaneamente: o da realidade presente com o constelador, no qual o cliente poderá fazer ou dizer algo, e outro nível atemporal e deslocalizado, no qual se movimentarão os representantes empurrados pela energia de cura.

 A constelação, os representantes, o cliente e o constelador estão guiados pelas forças de cura do campo que se acaba de formar.

 O grupo coloca-se a serviço da vida do constelado e entrega-se, também, às forças de cura ou movimento do espírito. Desde o começo da constelação, todos os presentes estarão tomados por essas forças de cura e deixar-se-ão levar por elas. Alguns se sentirão impelidos de participar, sem saber para que, nem a quem representarão; outros sentirão que devem permanecer na sua cadeira, representando alguém. Uma pessoa, às vezes, sentirá que representou várias pessoas, ou simultaneamente ou uma detrás da outra.

 Todos receberão a cura. Todos os presentes, os que representem e os que fiquem sentados. E também receberão a cura os que não estejam. Primeiro, os parentes dos constelados, e os que vibrarem especialmente com eles. Em segundo lugar, de uma forma mais lenta, podemos ver que a onda expansiva de cada constelação conseguirá alcançar o resto da população.

Os representantes

A dificuldade da representação radica em saber diferenciar a informação dramática ou psicodramática (que é muito fácil perceber, mas impede toda solução profunda e provoca facilmente reações de histeria coletiva, nas quais as projeções pessoais dominam) da informação profunda, corporal e fenomenológica, do campo.

 Os representantes ficam em um silêncio interno absoluto, somente sentem emoção. Somente um movimento extremadamente lento os dirige, sem que possam perceber para onde vai até que finalize esse movimento.

A qualidade de seu centramento determina a qualidade da constelação. Ser representante é o resultado de uma atitude interna diante da vida: saber entregar-se a uma direção além do emocional, da intenção e do controle, por muito boa que seja a intenção de fundo.

O representante entrega-se a uma força sutil que não controla e na que confia.

 Ninguém pode dizer-lhe onde se colocar, o que fazer, nem pedir-lhe que diga algo. Seria uma “usurpação” do papel do movimento do espírito.

O constelador

O constelador estará na atitude de representante de si mesmo, totalmente centrado e deixará abranger-se pelo movimento que seu centro lhe peça. Tudo o que decidir virá dirigido pela sua conexão. Um constelador sem conexão não pode se dedicar às novas constelações.

O constelador tem a responsabilidade que todos atuem desde o centro. Sua própria conexão é o que dará a força e a fluidez à constelação. Já não tem a possibilidade de intervir sobre os representantes. Estes estão dirigidos pelo movimento do espírito.

O papel do constelador é aproximar cada um dos presentes ao recolhimento necessário para que possa deixar mover-se por estas forças. Tudo é esquecido, não há hipótese, não há regras. Somente existe a fenomenologia e o não fazer. Fenomenologia significa descobrir o que realmente existe. Não fazer é não fazer nada voluntariamente, é se deixar guiar, é permanecer em silêncio, conectado e esperando.

Esta força sutil, que chamávamos “movimento do espírito” e agora “força do campo” ou “forças de cura”, é a única que cura. Está totalmente dirigida para as reconciliações e reinclusões que criarão cura.

Às vezes, no final, haverá informação importante para o cliente. O constelador deve continuar protegendo o cliente e sentir se é viável dar alguma informação. A devolução para que seja útil para o cliente deve ser essencial e muito centrada.

Como é humano, e pode projetar-se sobre o cliente, o constelador deve estar muito vigilante de suas próprias contra transferências. Seu trabalho pessoal de crescimento deve ser permanente.